piran
#100
É bem provável, certo seria, do acaso para o nunca, que ninguém nunca antes tenha ouvido falar de Piran. Balbucia-se este singelo vilarejo, na costa do Adriático, pois se configura ele como um caldeirão de antigas tradições croatas e italianas, entrecruzadas na nação eslovena atual. Três anos atrás, eu também inaugurara a minha primeiríssima viagem para o lado adriático, conhecendo porções italianas e croatas deste mesmo mar invencível. Agora, decidi cumprimentá-lo ainda ali, logo ao lado, olá, tudo bem, quanta falta me fizestes, diz-me, é por aqui que se anda, por ali que se balada, como foram estes remotos e tempos longínquos, pois aguardes que aí vem história…
E feito conto lunar e finito, vinte e quatro horas fulminantes aproximadas me ilustraram a beleza deste pitoresco lugar, abraçado e abençoado por pores do sol tão acolchoados de se contemplar. Do topo da torre do sino, vigiei o céu que permutava suas titânicas cores para o além. Barquinhos passeavam, enquanto o barulho de pedestres andando pelo relevo uniforme se suspiraria e entremearia o vazio do mar: momentos tão sagrados como este reafirmam a minha paixão em viajar! Até quando fiquei preso dentro deste edifício, uma vez que a funcionária da bilheteria encerrara o seu expediente e me mantivera dentro trancado. Não fosse pelo bilhete com o seu número de telefone destacado na parte de trás da porta de entrada, eu já não estaria mais aqui entre nós, não sei, medo tive. O tempo se cronometrava, e a ideia de permanecer enjaulado numa construção estrangeira, num país estrangeiro, com uma língua estrangeira, me afligia o pensamento sozinho.
Adoro me deslocar para ambientes de restauração que contam com uma sonoridade de rádio. Quando a comida é boa e local, a experiência bem mais catártica se evidencia. Em meio ao ritmo agitado, encontrei paz para escrever postais, com o intuito de recapitular alguns capítulos da vida de hoje: fossem eles antigos, recentes ou preteridos. Uma boa taça de vinho aquece o corpo, enquanto o braço datilografa rumores e amores. Porque penso, enfim, que não sou eu que escolho para onde vou. Posso deter a mínima noção de onde quero ir, mas é a vida que se encarrega de me apresentar a logística do depois.











