olinda
#108
É quente, é frevo, é gente, é tumulto e é de não ficar parado no reles escanteio da viela seguinte. Pois Olinda se transforma, nesta época do ano, numa dança digna de experiências antropológicas para os brasilianos de sangue forte para um bom fuzuê de última hora. Minha primeiríssima vez nesta urbe, até que eu absorvesse o real significado do Carnaval nas ruas de nosso encantado país. Ladeira vem, rampa vai, como cabem tantas formiguinhas num exímio laboratório de sensações e estímulos carnavalescos? Senti orgulho em ser do Brasil, em haver nascido neste perímetro geográfico, por compreender as minúcias de minha tina terra, e os atilamentos duma nação rica em tanto folclorismo regional. Abençoai vossas vidas, Cristo Rei!
Viajar a Recife sempre me remete à finalidade de comparecer a algum compromisso logístico. Neste estreito final de semana, senti que assimilara três estilos de viagens díspares num curto espaço de tempo. Enquanto viajar significa converter distâncias em horas, metamorfoseei cândidas e canônicas frações de minha nobre e humilde juventude em momentos os quais sempre comigo reverberarão, porque há experimentos que apenas as ruas de Olinda conseguem entregar. Dito isso, frente a todos os seus contrastes evidentes, a capital pernambucana é mesmo linda e rica em história civilizatória. Enxergar prédios de Boa Viagem a partir duma considerável altura é como se imaginar numa maquete de real extensão, onde a escala dos olhos se equipara ao paquímetro o qual mede os nossos sonhos humanos. Sinto falta da França; todavia, enxergo o meu lado brasiliano aflorado. Qual cidade minha finalmente erigir, quando oceanos balbuciantes separam contextos distintos de minha pessoa?
O Nordeste é muito apolíneo. Perdeu quem não veio, mas ganhou quem ainda não cismou em conhecer este lado de quem nós somos. Uma vez que horas e horas na folia requerem esforço, espírito livre e vontade de pular ao som de nossas próprias marchinhas internas, há de se esperar que o Carnaval chegue para todos nós, sob o compasso de nossos próprios impulsos. Roupa é fantasia. Ser feliz é estar na rua e saber que podemos brilhar. Por um futuro melhor, por um sincretismo entre todas as nossas benções de vida.











