o'ahu
#105
Foram tempos de andança e descanso, sempre buscando aproveitar a compactuante versão de mim a qual o Havaí poderia me proporcionar. Primeiro de janeiro, presença confirmada para avistar o farol de Makapu‘u, imponente holofote e guardião dos meus vinte e seis anos em curso de plenitude. Sol, praia e céu azul. Quais demais camadas de cores poderia almejar, quando uma ilha inteira para desbravar eu possuiria? Nos primeiros dias, horas e horas de trilha no verde me conduziram, até mesmo, ao tesouro sagrado de sete cores no prisma dum arco-íris ambulante: não o esperava; porém, sabia que iríamos nos encontrar. Para alguns fenômenos da vida, o credo no processo é a essência que nos leva ao bom acaso. Livre. Sozinho. Liberto. Intuitivo. Foi como me pressentira ao longo desta jornada, cuja estadia em Kane’ohe providenciou o fidedigno sentimento de habitar no interior geográfico de nossos medos e sonhos próprios.
De dias, aventureiro em busca de tesouros. À noite, forasteiro à procura de resquícios de paz. Abrigado numa cabana mais que silenciosa e apartada do frevo turístico, compreendi o significado de estar só. Em previsões do tempo tempestivas, via, ainda, que o tempo me traria experiências, pessoas, companhias, de volta. Como e quando saber parar de descansar, se o meu ímpeto sempre me propulsiona ao intermitente agito humano? De todo modo, atingi o cansaço supremo ao peregrinar através do arquipélago. Duas pernas e alguns ônibus assez pontuais transcreveram os meus périplos nesta ilha de O’ahu. E uma vez no museu Bishop, compreendi que o passado historiográfico do Havaí é furtivo, abstruso e acaçapado. Tornei-me para as minhas próprias origens e começara a me indagar sobre o espaço em que vivi, o qual fora apropriado. Quem estivera ali? A quem pertencera tantas e tantas terras através da história?
Pois quilômetros, milhas, jardas e hectares me separavam de todas as versões de mim as quais pude antes acessar. Ilhado no Pacífico, entendi a grandiosidade do mundo. Atrás no tempo, remoto no ciclo de existência, distante de meus pares, chegara a conclusão de que é realmente longe: tudo o que eu já pude executar, tudo que me trouxera portanto até ali. Não pretendo retornar, e sei que detenho, então, histórias a propagar.











