ljubljana
#98
Soltem os dragões da cidade, as criaturas mais ferozes e quinquichosas desta capital tão desconhecida e subestimada! O genuíno desejo em desbravar Ljubljana veio com a sede em conhecer Bled; todavia, isto é história para outra segunda-feira mirabolante. Pacata, sucinta, calma e despretensiosa. É assim que eu experienciei o contexto dum epicentro de cultura, negócios e vida caprichosa. Consegui acompanhar a típica feirinha de antiquários e quinquilharias, no centro, no domingo; subi no arranha-céu mais alto para tomar um café nas alturas e ver neve acumulada no além; testemunhei folhas, árvores e florestas com os seus tons múltiplos de outono. E o frio que se anunciava, era a certeza de um impiedoso inverno próximo. Por via das dúvidas, Ljubljana foi o meu ponto de chegada e partida, para tantos e tantos lugares visitados nesta inteira semana de Toussaint.
Eu julguei que o melhor deste país fosse justamente o seu ecletismo perante a tantas oportunidades de roteiros. Queres o mar, tu tens. Almejas a montanha, desbraves. Buscas o inusitado, encontres. Desejas o caos urbano, vivas. E eu me senti verdadeiramente em primeira pessoa, viajando, novamente, solo. Os meus pensamentos me consumiam, me apaziguavam e me protegiam… Afinal, em quantas línguas eu falaria comigo mesmo, num movimento tão ensimesmado? Senti que castelos não faziam mais sentido, pois em todo lugar por esta Europa, fortificações análogas existirão: já estou bem estruturado, e me recomponho a cada dia! Durante uma das vindas, para então virar volta, troquei de par de tênis, e aliviado permaneci. Os meus doces e caudalosos pés, que tanto andaram e apelaram por socorro, obtiveram uma de suas recompensas.
Tem bastante medieval na capital da Eslovênia. Não creio, ademais, que deixá-la de lado possa fazer sentido. Este país abraça o Adriático, flerta com a Itália, se comunica com os antigos iugoslavos, e partilha de aspirações ainda assim balcãs ocidentais. Visitei a tamborilante e turlututada caverna de Postojna, com o fito de compreender que o mundo é também grande em suas parcelas subterrâneas. Às vezes, sinto-me apenas uma formiguinha a mais, em meio a tantos formigueiros e ritmos de marcha constantes. No mais, vale a pena parar, descansar e testemunhar uma boa fanfarra à la française.











