hawai'i
#104
Um passo para a esquerda, e já não se está mais ao radar do Atlântico. Eis que eu cruzei a fronteira de minhas próprias travessuras, desarmando-me de pontos de referência, projetando-me a deslocamentos nunca antes imaginados. Eu estive, para fascínio deste mundo, no arquipélago havaiano. A premissa de visitar algumas de suas ilhas sucedeu, então, a família, antecedendo, ainda, o trabalho. Como posso me definir através desta ubíqua vida, estando alhures em excesso? Só me restam as cartas e a escrita, fidedignas comprovações de minha ínfima existência humana.
Era o último dia do ano, e custava a crer que tudo isso num conjunto de trezentos e tantos poucos outros dias definido poderia ser. As palmeiras, o clima tropical, as espécies arbóreas nunca antes testemunhadas pelo meu intelecto, as cadeias de montanhas erigidas em meio às atividades ainda recorrentes de vulcões selvagens… Logo eu, mero sonhador, bastante jovem, repleto de saudade, apartado no Pacífico, tão acompanhado de mim mesmo. Que aventura! Destacava-me sempre atônito enquanto mirava o infinito que se transformava em possibilidade ao meu redor: o Havaí é um paraíso, e, talvez, seja eu um dos únicos a definitivamente transmitir esta mensagem adelante. Fecho os olhos e compreendo que sorte, esforço e oportunidade compuseram o auge desta expedição.
Sim, houve dificuldades. Claro, tem estado nas entrelinhas muito do quê tem sido subjugado. Por certo, existem mazelas e chagas por toda a parte, afinal, esta pacífica civilização se transformou num epicentro de turismo e desarranjo sentimental. Preteria eu que esta nação reverenciasse o sol o qual a fortifica da mesma maneira que seu território permanecesse íntegro aos que a originaram; contudo, a sua beleza é a mesma que a eternamente aprisionará. Conquanto, os primeiros dias foram de puro estímulo. Não é toda hora que se chega ali, tampouco que se usufrui do que estaria lá. Para quem me indagar, retrucarei que o Havaí é uma experiência à flor da pele: pura vida nectarina, forte coração onírico e pulsante. É impossível embrulhar o estômago, já que os braços se abrem, o corpo se expande, e a alma sente. Que é hora de gritar para todos os demais pontos cardeais da bússola dos ventos, alcancei, atingi, compareci, toquei. E por onde for, estarás.











